FREI TITO

Por: Priscila Siqueira (Fraternidade de S. J. dos Campos e Litoral Norte de São Paulo)

Irmãs e irmãos da Fraternidade do Irmãozinho Carlos,

As eleições para a Presidência da República e para o Congresso Nacional estão chegando. Como alguém que nasceu na Ditadura Vargas e passou a juventude na época da Ditadura Militar de 64, me sinto no dever de trocar algumas ideias com aqueles que não as vivenciaram (graças a Deus...) e que podem se iludir achando que uma espécie de ditador na presidência será melhor para os destinos de nosso País. 

Nos “anos de chumbo” de nossa história, prisão e tortura eram tratamentos comuns para qualquer cidadão que fosse dedurado -às vezes por um vizinho ciumento- ou que fosse considerado “subversivo”. 

Foi este o caso do frei Tito de Alencar, da Ordem dos Pregadores – os Dominicanos- cuja morte ocorreu há 12 anos, em 10 de agosto de 1974.

Tanto Tito, como os freis Betto, Fernando e Ivo, movidos pelo senso cristão de misericórdia e justiça, deram apoio a Celso Marighella, coordenador da Ação Libertadora Nacional- ALN.

Vejam bem, movimentos como este, queiram acabar com a sangrenta ditadura-apoiada e subsidiada pelo empresariado brasileiro e pelo governo norte americano. Quem havia rasgado nossa Constituição não foram eles, mas os militares que apoiaram o Golpe de Estado. Nem todos militares compactuaram com ele: Aqueles que não concordaram com o golpe, foram mandados para a Reserva.

O jovem Tito
Nascido em Fortaleza em 1945, Tito aproximou-se ainda jovem das lutas sociais e da defesa dos Diretos Humanos. Tenho participado da Juventude Estudantil Católica- JEC, em 1966 entrou na Ordem dos Dominicanos e, mudando-se para São Paulo, estudou Filosofia na Universidade de São Paulo-USP.

Com uma atuação religiosa sempre ligada aos problemas dos mais pobres e excluídos, ele foi preso em 1968 no Congresso Nacional dos Estudantes em Ibiúna.

Ano seguinte foi preso novamente com seus companheiros de batina. Desta vez todos eles foram parar nas dependências da Operação Bandeirantes- OBAN, considerada o ”inferno na terra”.

Ali ele foi torturado ao máximo. Dizem que, quando torturado, era o que apresentava mais serenidade. Seu torturador-delegado Paranhos Fleury - ficava furioso com sua postura. Daí, ele ser o que mais foi machucado, queimado, mais humilhado, tendo -inclusive - sofrido suplícios psicológicos.

Tito recebeu choques elétricos na boca, quando diziam que estava recebendo o Corpo de Cristo. 

Em 1970, foi libertado juntamente com outros presos políticos em troca do embaixador suíço, tendo sido banido do Brasil. Tito passou pelo Chile e pela Itália até ter sido acolhido pelos dominicanos franceses.
Mas, os suplícios infringidos a ele não o deixavam em paz. A prisão e as torturas continuaram a fazer parte de sua vida, mesmo quando estava em liberdade.
Apesar do tratamento psicanalítico, Tito se suicidou em um bosque perto de Lyon. Isto foi em 1974, quando ele tinha apenas 28 anos.


Irmãs e irmãos em Cristo Jesus,
Dá para sacar o que uma ditadura pode fazer?!... Tito, um frade dominicano, jovem, extremamente ligado à causa dos oprimidos,
não aguentou os maus tratos que recebeu . E ele foi um, entre os muitos torturados...

O pensador católico Tristão de Athaíde, outro nome de Alceu Amoroso Lima- dizia que a Democracia pode ter muitos defeitos. Mas, por outro lado, ainda não encontramos uma forma melhor que governar senão com ela, quando verdadeira.

O Irmão Carlos nos deu um exemplo de vida dedicada à “Construção do Reino de Deus e Sua Justiça no mundo”... Frei Tito morreu em consequência de sua luta pelo Reino de Deus.
Que tenhamos coragem de seguir o exemplo que nos é dado por esses dois santos de Deus...

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